O Poeta é um Fingidor [1]


No dia 21 de Março poderíamos, por exemplo, festejar a chegada da Primavera. Possivelmente fá-lo-emos.
Podemos no dia 21 de Março recordar os acontecimentos de Shaperville, bairro da cidade de Joanesburgo, quando o exército atirou sobre uma multidão indefesa matando 69 pessoas e, daqui decorrente o facto da Organização das Nações Unidas instituir esta data como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
Mas o que nos leva a escrever estas linhas prende-se com a nossa, e esperemos também vossa, vontade de assinalar o Dia Mundial da Poesia. Aconteceu há 10 anos e decorria 30ª Conferência Geral da UNESCO quando a Organização decidiu proclamar o dia 21 de Março como o Dia Mundial da Poesia.Um dos objectivos primeiros apontava para a necessidade de defender a diversidade linguística mas a constatação de que existiam no mundo necessidades estéticas por satisfazer e de que a poesia podia preenchê-las pesaram fortemente na decisão.
Assim e até ao dia 21 de Março divulgaremos, neste espaço, a poesia de autores portugueses.
Iniciamos com um poema de Antero de Quental . O poeta utilizava a poesia como uma voz revolucionária e de apelo, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.

A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

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