O Poeta é um Fingidor [4]

António Joaquim de Castro Feijó, poeta e diplomata português, nasceu em Ponte de Lima há 150 anos.
As primeiras obras poéticas que publicou Sarcerdos Magnus e Transfigurações colocam em evidência um pessimismo e uma acusação nítida das imperfeições morais e sociais que o rodeiam.
Num estilo contido e simultaneamente requintado os temas da sua poesia estão frequentemente ligados a um certo desencanto raiando, por vezes,o pessimismo.
Ao tema recorrente da morte associa um ideal de beleza mórbida, mas na obra poética de António Feijó a naturalidade alia-se à perfeição.

A UMA MULHER FORMOSA

Nas límpidas canções que me inspiraste
ao som da flauta d'ebano cantadas,
narrava as minhas mágoas desoladas,
mas tu não me escutaste!

Depois compus estâncias primorosas,
que leste em carinho e sem ternura,
lançando ao rio as páginas formosas
onde eu cantava a tua formosura.

Quis ser então mais fino e mais amável:
dei-te um presente fabuloso e raro,
uma enorme safira comparável
a um céu nocturno imensamente claro.

E em paga d'essa jóia deslumbrante,
d'esse primor, d'uma riqueza louca,
mostraste-me, sorrindo um só instante,
as pequeninas pérolas da boca.

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