O Poeta é um Fingidor [6]


Em Dezembro de 1894 nasce, em Vila Viçosa, Flor Bela de Alma da Conceição e que será conhecida, na literatura portuguesa, como Florbela Espanca.
Ingressa no liceu de Évora, numa época em que poucas raparigas vão além da instrução primária. Mais tarde ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas.
Florbela Espanca é considerada uma das maiores poetisas portuguesas do século XX, tendo construído uma obra que reflecte o seu carácter e sensibilidade. Mas este reconhecimento nem sempre existiu pois foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos, enquanto viveu.
Como poetisa, não pode ser separada da sua condição de mulher, das suas paixões, das suas contradições, dos seus amores e desamores. A sua grande preocupação é ela própria, o querer e o não querer, a exaltação sobre si própria:

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

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