27 de março de 2009

Um enorme talento para comunicar!

João Villaret nasceu em Lisboa em Maio de 1913.
Actor de renome participa em inúmeras peças de teatro, na revista, na música e surge no cinema. Mas é com o aparecimento da televisão, nos anos cinquenta, que Portugal fica a conhecer o declamador de eleição.
Aos domingos declamava com graça e com paixão os poemas dos maiores autores nacionais ou simplesmente conversava com os espectadores … e ao fundo, os acordes ritmados que vinham do piano…

Nesta época em que a comunidade fundanense celebra a sua quadragésima deixamos Procissão, de António Lopes Ribeiro.

23 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia e...da Árvore




21 de Março como era sábado a escola estava fechada. Mas este facto não impediu que se assinalasse o Dia Mundial da Poesia. Para além dos poemas que aqui fomos colocando ao longo da semana o átrio da entrada e a BE/CRE reservaram algum espaço e a poesia aconteceu.

Na BE/CRE o poema “balancé”, de Patrícia Joyce, lançou o repto para ser continuado e alguns dos poemas eram dedicados às árvores que também assinalavam o seu dia. Na entrada a “poesia de cordel” desafiava todos os que por lá passavam a escolher e a levar um poema.

19 de março de 2009

19 de Março... Dia do Pai

Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd queria um dia especial para homenagear o pai quando, já adulta, percebeu a sua força e generosidade.
O primeiro Dia do Pai foi comemorado em 19 de Junho de 1910, em Spokane, Washington. A rosa foi escolhida como a flor oficial do evento.
Mas ao que parece o primeiro a comemorar o Dia do Pai foi um jovem chamado Elmesu, na Babilónia, há mais de 4.000 anos, quando terá esculpido em argila um cartão para o seu pai.
Em Portugal o Dia do Pai comemora-se no dia de S. José, hoje, 19 de Março.
Um abraço do tamanho do mundo para todos os Pais.

Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!
[Florbela Espanca]

18 de março de 2009

O Poeta é um Fingidor [6]


Em Dezembro de 1894 nasce, em Vila Viçosa, Flor Bela de Alma da Conceição e que será conhecida, na literatura portuguesa, como Florbela Espanca.
Ingressa no liceu de Évora, numa época em que poucas raparigas vão além da instrução primária. Mais tarde ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas.
Florbela Espanca é considerada uma das maiores poetisas portuguesas do século XX, tendo construído uma obra que reflecte o seu carácter e sensibilidade. Mas este reconhecimento nem sempre existiu pois foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos, enquanto viveu.
Como poetisa, não pode ser separada da sua condição de mulher, das suas paixões, das suas contradições, dos seus amores e desamores. A sua grande preocupação é ela própria, o querer e o não querer, a exaltação sobre si própria:

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

17 de março de 2009

O Poeta é um Fingidor [5]


Fiama Hasse Pais Brandão nasceu em 1938, em Lisboa.
Poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora, Fiama deu-se a conhecer com Morfismos no movimento Poesia 61, movimento que está na origem de uma profunda revolução na linguagem poética portuguesa dos anos 60.
A sua obra caracteriza-se por uma grande densidade da palavra, mas de grande rigor e depuramento formal.
Para Fiama a poesia tem de entender-se como um processo vivo.
Nas palavras de António Ramos Rosa “...qualquer dos seus poemas é um percurso acidentado e abrupto que gera na fragilidade irredutível de uma identidade perplexa mas insubmissa”.

Natureza morta com louvadeus

Foi o último hóspede a sentar-se
no topo da mesa, já depois do martírio.
As asas magníficas haviam-lhe sido quebradas
por algum vento. Perdera o rumo
sobre a película cintilante de água
no riacho parado. Tal como poisou
junto de nós, com o belo corpo magro
arquejante, lembrava, ainda segundo o seu nome,
um santo mártir. Enquanto meditávamos,
a morte sobreveio, e a pequena criatura,
que viera partilhar a nossa mesa,
depois de ter sido banida das águas
foi banida da terra. Alguém pegou
no volúvel alado corpo morto
abandonado sem nexo na brancura da toalha
- que maculava -
e o atirou para qualquer arbusto raro
que o poeta ainda pôde fotografar.

O Poeta é um Fingidor [4]

António Joaquim de Castro Feijó, poeta e diplomata português, nasceu em Ponte de Lima há 150 anos.
As primeiras obras poéticas que publicou Sarcerdos Magnus e Transfigurações colocam em evidência um pessimismo e uma acusação nítida das imperfeições morais e sociais que o rodeiam.
Num estilo contido e simultaneamente requintado os temas da sua poesia estão frequentemente ligados a um certo desencanto raiando, por vezes,o pessimismo.
Ao tema recorrente da morte associa um ideal de beleza mórbida, mas na obra poética de António Feijó a naturalidade alia-se à perfeição.

A UMA MULHER FORMOSA

Nas límpidas canções que me inspiraste
ao som da flauta d'ebano cantadas,
narrava as minhas mágoas desoladas,
mas tu não me escutaste!

Depois compus estâncias primorosas,
que leste em carinho e sem ternura,
lançando ao rio as páginas formosas
onde eu cantava a tua formosura.

Quis ser então mais fino e mais amável:
dei-te um presente fabuloso e raro,
uma enorme safira comparável
a um céu nocturno imensamente claro.

E em paga d'essa jóia deslumbrante,
d'esse primor, d'uma riqueza louca,
mostraste-me, sorrindo um só instante,
as pequeninas pérolas da boca.

13 de março de 2009

O Poeta é um Fingidor [3]


Nasceu em Leiria em 1878 e dela conservou a imagem dum local inserido numa paisagem bucólica e romântica desenha pelos meandros do rio Lis. Ainda assim, são as paisagens de S. Pedro de Moel a grande fonte de inspiração. Com as conchas e os búzios recolhidos na praia construiu um órgão onde procurava ouvir a música das sereias.
Falamos de Afonso Lopes Vieira pioneiro na fotografia e no cinema e escritor de eleição.
O livro Para Quê? marca a sua estreia poética e com ele inicia um período de intensa actividade literária onde as crianças não foram esquecidas:


CAVALEIRO DO CAVALO DE PAU


Vai a galope o cavaleiro e sem cessar
Galopando no ar sem mudar de lugar.

E galopa e galopa e galopa, parado,
E galopa sem fim nas tábuas do sobrado.

Oh!, que brabo corcel, que doídas galopadas,
– Crinas de estopa ao vento e as narinas pintadas!

Em curvas pelo ar, em velozes carreiras,
O cavalo de pau é o terror das cadeiras!

E o cavaleiro nunca muda de lugar,
A galopar, a galopar a galopar!…

12 de março de 2009

O Poeta é um Fingidor [2]


Bocage nasceu em Setúbal em 1765.
Marcado por uma infância difícil cedo deu sinais da sua natureza inquieta. A sua escrita revelava ausência de moderação e muitas vezes o vocabulário era violento e extremamente cáustico. À crítica reage sempre de forma brusca e não poupa os que ousam enfrentá-lo. Diz sempre o lhe vai na alma de forma genuína.
A obra de Bocage, plena de contrários, são a evidência do seu temperamento arrebatado e emotivo, torrente de sentimentos. Ainda assim, de Bocage tem-se, muitas vezes, a ideia de alguém com carácter irreverente e são famosas algumas anedotas. Não, não as contamos aqui...
Da sua pena saíram sátiras impiedosas, críticas contundentes ao modelo de sociedade, à mediocridade...

O Macaco Declamando

Um mono vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.

Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.

Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.

11 de março de 2009

O Poeta é um Fingidor [1]


No dia 21 de Março poderíamos, por exemplo, festejar a chegada da Primavera. Possivelmente fá-lo-emos.
Podemos no dia 21 de Março recordar os acontecimentos de Shaperville, bairro da cidade de Joanesburgo, quando o exército atirou sobre uma multidão indefesa matando 69 pessoas e, daqui decorrente o facto da Organização das Nações Unidas instituir esta data como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
Mas o que nos leva a escrever estas linhas prende-se com a nossa, e esperemos também vossa, vontade de assinalar o Dia Mundial da Poesia. Aconteceu há 10 anos e decorria 30ª Conferência Geral da UNESCO quando a Organização decidiu proclamar o dia 21 de Março como o Dia Mundial da Poesia.Um dos objectivos primeiros apontava para a necessidade de defender a diversidade linguística mas a constatação de que existiam no mundo necessidades estéticas por satisfazer e de que a poesia podia preenchê-las pesaram fortemente na decisão.
Assim e até ao dia 21 de Março divulgaremos, neste espaço, a poesia de autores portugueses.
Iniciamos com um poema de Antero de Quental . O poeta utilizava a poesia como uma voz revolucionária e de apelo, como forma de alertar as consciências para as desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.

A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!

8 de março de 2009

O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar. [4]

Dia Internacional da Mulher [ 8 de Março ] “O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.” [In A Mulher poema de Ramos Rosa].

É impossível falar dos movimentos das mulheres sem pensar em Maria de Lourdes Pintasilgo.
Desde muito cedo se manifestou contra a discriminação das mulheres, não aceitando que não tivessem igualdade de oportunidades em aceder a todas as tarefas, quaisquer que elas fossem.
Em 1953, com 23 anos, licenciou-se em Engenharia Químico-Industrial pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. A sua opção por esta licenciatura foi assumida como um sinal e um desafio, pois desejava mostrar que a indústria e a técnica eram também acessíveis às mulheres.
Sempre defendeu a ideia de construção de uma sociedade na qual as mulheres tinham um papel activo e, se no poder, esse papel conduziria a uma melhoria das condições de vida.
Em 1974 como Ministra dos Assuntos Sociais concebeu um programa de acção que mereceu a classificação de programa-modelo, por parte do Secretariado do Desenvolvimento Social para a Europa, organismo da ONU.
Em 1975 foi Presidente da Comissão da Condição Feminina, permanecendo em funções até à tomada de posse como embaixadora junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Foi eleita membro do Conselho Executivo da UNESCO, por proposta dos países ocidentais, pelo reconhecimento das suas capacidades na resolução de problemas.
Em 31 de Julho de 1980 tomou posse com Primeira-Ministra de Portugal.

6 de março de 2009

O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar. [3]

Dia Internacional da Mulher [ 8 de Março ] “O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.” [In A Mulher poema de Ramos Rosa].

De acordo com dados divulgados recentemente, Portugal conta com cerca de 43 por cento de mulheres entre os que desenvolvem investigação científica.
Teresa Lago é uma dessas mulheres.
Em 1985 recebeu o conceituado Prémio Henri Chétien, da American Astronomical Society, que premeia jovens investigadores com grande potencial. Com uma vida dedicada à Astronomia, em 2005 passou a integrar o Conselho Científico do Conselho Europeu de Investigação, cuja missão é assegurar as exigências da excelência científica na União Europeia. Está na génese da criação do Planetário do Porto espaço que funciona no Centro de Astrofísica da Universidade.


É autora de vários artigos científicos e livros da especialidade; mas hoje o nosso destaque vai para “Descobrir o Universo” livro em que nos fala do prazer da descoberta na Astronomia, dos planetas do sistema solar à vida das estrelas e das galáxias…

5 de março de 2009

O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.[2]


Dia Internacional da Mulher [ 8 de Março ] “O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.” [in A Mulher poema de Ramos Rosa].

Maria de Lourdes Ribeiro [MALUDA] deu-se a conhecer como retratista, mas foram as telas sobre Lisboa e em particular as pinturas das janelas que ela avistava da sua casa que lhe deram celebridade.
Na opinião de Maria Helena Vieira da Silva os quadros de Maluda são um hino, um louvor à vida.
Maluda foi uma das pintoras mais populares da pintura contemporânea portuguesa. Deixou de estar entre nós há 10 anos.


Para além de Lisboa outras cidades do nosso país mereceram a sua atenção e deixamos a imagem de um dos seus ex-libris: A Janela da casa de Garcia de Resende em Évora.

O selo “Évora Património Mundial” venceu o prémio mundial para o melhor selo atribuído pela World Government Stamp Printers Conference, em Périgaud (França), no ano de 1989.

3 de março de 2009

O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar. [1]

Agora que se aproxima o Dia Internacional da Mulher [ 8 de Março ] abrimos o espaço “O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.” [in A Mulher, poema de Ramos Rosa].

Sofia de Mello Breyner é a primeira das mulheres que queremos referenciar.
Em Novembro faria 90 anos. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da Língua Portuguesa, o Prémio Camões, há precisamente 10 anos.
Deixamos como homenagem, naturalmente singela, o seu poema Liberdade:



Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Ajuda - construção de resumos

Mapa de conceitos - Guião para construção [dez 2015]

Apoio à literacia [revisto em setembro 2015]